Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Pensamento do dia

A vida corre gentilmente como um rio fresco e calmo ao sol quente e brilhante de Primavera. Tudo à volta segue o rumo natural, as ervas respiram as últimas gotas do orvalho da manhã, as flores abrem sorrindo para o sol como se de uma explosão de cores se tratasse, as árvores deixam o vento fluir por entre os seus ramos agitando as suas folhas que dançam uma valsa ao som do assobio do grande maestro. Bem cedo, as formigas começam o seu trabalho, procurando e recolhendo alimento para mais uma noite fria. As abelhas zumbem freneticamente como carros em hora de ponta, sabendo que o seu néctar dourado, se encontra à disposição e voam rapidamente, como mulheres em tempo de saldos. Os pássaros aproveitam para saltitar de árvore em árvore, visitando os seus amigos e amigas, chilreando uma música forte como se de uma claque de futebol se tratasse. E ainda assim, não contente com esta situação, o sol afasta, com os seus longos raios, as nuvens passageiras que tentam enublar este cenário tão bucólico. As borboletas apaixonadas pelas lindas cores das flores vagueiam pelo campo e põem-se a contemplá-las como se fossem montras de deliciosos chocolates. Os patos viajantes fazem uma pausa enquanto bebericam a água fresca que corre pelo riacho para se prepararem para mais uma longa jornada. Cada um destes personagens segue o seu rumo normal, confiando nos demais. Seguem porque estão habituados, é da natureza da própria Natureza seguirem os seus instintos.
No entanto, por mais que queiramos que o cenário bucólico se mantenha, sempre que há uma alteração aos comportamentos inerentes a cada elemento deste cenário, tudo pode mudar. Por vezes, a mudança é boa, faz com que hábitos antigos produzam novos e melhores hábitos. Por outro lado, a mudança é perversa, mudando o rumo da história e confluindo todos os elementos numa espiral incógnita. E o que é desconhecido é temido. Ainda assim, há que saber lidar com a mudança e há que conhecer cada elemento e o objectivo de vida. As flores abrem de manhã e fecham à noite, o que permite às abelhas colherem o néctar, às borboletas contemplarem-nas, os pássaros poderem conviver alegremente nas árvores, os patos descansam junto ao leito do rio.
Se um dia houver um incêndio, toda a estrutura natural destes elementos será afectada e poderá nunca mais ser recuperada. Por isso é que os actos inerentes a cada acção tem as suas consequências que poderão traduzir-se em mudanças, sejam elas positivas ou funestas, que tenderão a desestabilizar o equilíbrio normal deste cenário idílico.
Às vezes, mais vale pensar no que se faz, do que sofrer com as consequências.