Sexta-feira, 18 de Março de 2011

Ginásio

Gosto de ir ao ginásio. Porquê? Muitas almas curiosas me perguntarão qual é o gozo de ir para um espaço fechado cheio de máquinas cujos nomes não se consegue pronunciar e fazer exercícios em simultâneo com outras pessoas desconhecidas, algumas delas a suar que nem porcos e com cheiros pouco amigáveis. E a resposta não foge muito da pergunta. Gosto de ir ao ginásio, primeiro, porque me descontrai e dá-me energia para o resto do dia, ou seja, liberto a tensão ou a maior parte dela através da libertação das chamadas endorfinas que combatem eficazmente o stress e fazem-me sentir mais leve e consequentemente mais descontraído. Para conseguir atingir este ponto basta 15 minutos de corrida em passadeira ou 15 minutos em elíptica. Todos os outros exercícios acabam por ser bónus para melhorar a saúde, o aspecto físico, manter o peso ou queimar algumas calorias. Já tive planos de exercícios elaborados por vários instrutores, mas actualmente não sigo nenhum. Faço corrida em passadeira, elíptica e se tiver tempo, um pouco de remo. Estas são as principais máquinas de cardio que eu uso mais. As outras máquinas são específicas para determinadas partes do corpo. Umas exercitam as pernas, outras tonificam a barriga e os glúteos, outras desenvolvem o peito, os braços e os ombros. Normalmente tenho 45 minutos para fazer a parte de cardio e a parte de musculação. Gosto particularmente de fazer exercícios com bola suíça, mas custa-me aqueles que envolvam braços e ombros. Como tenho a tensão quase no limite, tenho a noção de que há um limite a respeitar, beber água de vez em quando e alternar entre pernas e braços para melhorar o rendimento dos exercícios. Uma vez li numa revista especializada que fazendo determinados exercícios com uma série de repetições durante um período de tempo é o necessário para perder massa gorda, desenvolver massa magra, músculo e ficar em forma. O autor, no final do artigo, indica que só há sucesso se todo este exercício for combinado com descanso e uma alimentação regrada e controlada. Acrescenta, que apenas 25% do que fazemos em exercício é suficiente para atingirmos os mínimos objectivos para melhorar o aspecto físico, ou seja, os restantes 75% devem-se à alimentação e ao número de calorias ingeridas.
Gosto de fazer ginásio porque me dá energia para o resto do dia. Desperta-me de manhã da sonolência que teima aumentar a minha preguicite aguda. Os resultados dos exercícios também me agradam, embora saiba que todo o processo envolve tempo e que nada é feito de um dia para o outro. Se um dia me apetecer comer uma pizza bacana ou uma avatar, sei que no dia seguinte vou-me dedicar às máquinas de cardio e regular a alimentação. 50% do que faço é pela melhoria do aspecto físico e da libertação das endorfinas, mas os outros 50% é devido à tensão que não é alta, mas que podia ser mais baixa. Obviamente, para ultrapassar os possíveis problemas de hipertensão tenho que fazer exercício físico e reduzir em 75% o consumo de sal, enchidos, bebidas com gás, cafés (não bebo), batatas fritas, fritos, entre outros produtos ricos em sódio. Se pelo menos puder controlar estes potenciadores de tensão, já me dou por satisfeito, embora as tentações sejam muitas (gosto de comer batatas fritas). O stress, que é outro potenciador de tensão, não o consigo controlar tão bem como queria, por isso, acaba por haver uma estabilidade da minha tensão. No ginásio, sei que há exercícios que não devo fazer por causa da tensão. O que eu quero é libertar-me dela e não potenciá-la.
Em relação às pessoas desconhecidas, como vou lá com regularidade, praticamente já não são desconhecidas. Vejo-as todos os dias, à mesma hora e normalmente a fazerem os mesmos exercícios. Por exemplo, numa semana vejo mais os meus "colegas" de ginásio que aos meus próprios pais (e eu que nem sou assim tão negligente com eles). O suor não me incomoda desde que seja limpo das máquinas, mas o cheiro é coisa que me faz impressão. Os desodorizantes não são caros e devem ser usados com regularidade. Tomar banho regularmente também é bom, mas parece que há pessoas que se esquecem e não se lembram de que não estão a fazer exercícios sozinhos.

Mas agora que o tempo se está a pôr bom a ver se começo ir correr para os lados de Cacilhas ou para a Costa da Caparica. Gosto de ir ao ginásio. Mas amanhã não vou :(

Quinta-feira, 17 de Março de 2011

Pipoca

Pipoca é o nome da minha gata. Eu e a minha noiva acolhemos a Pipoca há cerca de 3 meses, mas parece que nos damos há imenso tempo. Desconheço o percurso de vida da Pipoca mas certamente quem a criou fez um excelente trabalho. Porque a abandonou? Isso ficará nos segredos dos deuses. A história da Pipoca connosco começa curiosamente quando a minha noiva insiste comigo para que tenhamos um animal. Duas semanas antes, tínhamos ido até ao Cabo Espichel dar uma volta e estava uma cadela que parecia abandonada. Estava um frio de gelar os ossos e um vento cortante e desagradável. A minha noiva queria levá-la para casa. Parecia estar abandonada e era pequenina. No entanto, eu mostrei-me inflexível e disse-lhe que não tínhamos condições para ter um cão em casa, visto que ambos trabalhamos e chegamos tarde a casa. Os cães têm necessidades especiais como ir à rua ou são demasiadamente dependentes e, isso, não conciliava o nosso trabalho com as necessidades intrínsecas do animal. Para além desta razão, o maior animal que alguma vez tivera em casa foi uma tartaruga. A Tarta ainda existe em casa dos meus pais. Vive numa tartarugueira improvisada que basicamente não passa de uma grande caixa de plástico (mas mesmo grande) cheia de água onde ela passa a maior parte do tempo. A caixa está sempre junto à janela para que possa apanhar sol. Nesta altura, a Tarta está prestes a sair da hibernação. Ela gosta muito de dar longos e vagarosos passeios pela casa, escondendo-se muitas vezes debaixo da arca do hall ou no canto da cozinha por baixo da mesa da cozinha. A Tarta foi-me oferecida pela D.ª Sezinanda após o falecimento da Tarta Sénior durante umas férias de Verão. Desde então, a Tarta tem estado com os meus pais, sendo mais uma presença notada do que propriamente uma animação. Ainda me lembro de brincar com a Tarta, construindo caminhos com livros e obstáculos para ela ultrapassar. E ela muito inteligentemente ultrapassava as dificuldades. Desde que me mudei de casa, mal a vejo, mas sei que está a ser muito bem tratada. No Verão adora comer pedaços pequenos de peixe, mini camarão cozido, uvas e alface, mas a dieta dela passa por gamarus previamente comprados nos supermercados. Se não me engano, deve ter mais de 10 anos. É uma proeza para uma tartaruga que já sofreu alguns acidentes, tendo sido o mais grave quando caiu de uma altura de 3 andares e sobreviveu da queda. Se os gatos têm 7 vidas, a Tarta tem certamente mais.
Voltando à Pipoca... Apareceu à janela da varanda da sobrinha da minha noiva que também tem um gato e que se chama Calvin. Por algum motivo, Calvin não se deu bem com a Pipoca (nome atribuído pela sobrinha da minha noiva e que nós acabámos por adoptar) e atiçava-se contra a gata. Deve ter sido por ela estar a entrar nos domínios do Calvin e por estar a ter demasiada atenção por parte dos donos. A irmã da minha noiva decidiu procurar um novo abrigo para a gata e começou pela família e a seguir por pessoas amigas ou que pretendiam um animal. A minha noiva mandou-me fotos da Pipoca e disse-me que era uma gatinha muito simpática, sociável e carinhosa. Inicialmente não lhe dei muita atenção, mas depois de muita insistência concordei apenas ir ver a gata para ver como é que ela reagia connosco. A primeira impressão foi muito boa. A Pipoca chegou-se a nós, pediu festas e ainda miou de satisfação. Parecia literalmente um cão a pedir um dono. Ainda assim, logo a seguir, mediu bem as distâncias porque não nos conhecia e tinha uma certa desconfiança. Como é óbvio acabámos por levá-la para casa, sem antes termos passado por um hipermercado onde nos abastecemos de utilidades para gatos, como a caixa de areia, a alcofa, o porta-gatos, as taças de alimentação, a ração, o leite e umas coisas ridículas chamadas brinquedos para gatos que ela não liga nada. O primeiro reconhecimento à casa foi rápido. Entrou, cheirou todas as divisões e sentou-se na alcofa que colocámos junto à porta da janela da varanda do nosso quarto, que é o local da casa onde bate mais sol. Daí foi só dar festinhas, brincar com ela, escovar o pêlo e ensinar o local onde come e onde está a caixa da areia (sendo que os aficionados por gatos me disseram que nós não ensinámos nada, que os gatos por instinto já sabem onde ir à casa de banho e onde está a comida). Desde o primeiro dia que a Pipoca dorme aos pés da nossa cama (tem uma manta onde se deita e enquanto estiver frio deixamos o aquecedor ligado) e fica lá até acordarmos. À noite, quando está na hora de se ir deitar, chama a nossa atenção para se ir deitar. Se não nos vamos deitar, ela fica deitada ou no sofá da sala de estar ou no cadeirão da sala de estar junto a nós até irmos para a cama. A Pipoca gosta muito de receber festinhas e agradece com o seu ronronar. Na altura em que quer comer e se estivermos em casa, ela mia para nos chamar a atenção, para irmos vê-la a comer. Curiosamente, come melhor se estivermos com ela na cozinha e se lhe fizermos festinhas na barriga enquanto desfruta da ração. Quando chegamos a casa, a Pipoca está logo à porta para nos receber e nós sabemos que ela logo a seguir vai correr para a cozinha (onde está a comida, mas onde também recebe festinhas). Em termos de tamanho, a Pipoca não é uma gata de porte grande, deverá ter 1 ano/1 ano e meio, pesa 3,7 kg, come uma boa quantidade de ração e bebe muito leite e alguma água. O leite só pode ser de uma superfície comercial começada por C. A última vez que comprámos leite de uma superfície comercial por J., a Pipoca nem lhe tocou e, verdade seja dita, quando chegámos a casa, o leite que é branco, estava amarelado (o cheiro é indescritível). A Pipoca é como o dono. Come bem e evacua igualmente bem. A minha noiva é a responsável pelo departamento de Saúde e Higiene lá em casa, pelo que está sempre em cima do acontecimento. A Pipoca gosta de lhe deixar presentes bem cheirosos. Em relação aos hábitos da Pipoca, ela gosta muito de apanhar sol, de se esticar e de arranhar os tapetes oferecidos pela minha futura sogra. Gosta, de vez em quando, de arranhar o forro do sofá, de brincar com os puxadores das japonesas e principalmente de brincar com os donos ao "apanha as palhinhas que fazem um barulho estranho". Agora, sempre com a nossa supervisão, a Pipoca vai até à varanda e fica lá a apanhar sol e a espreitar para a rua, embora não por muito tempo, pois o andar é alto. Às vezes, a Pipoca até sai da varanda por iniciativa própria (uma vez que a curiosidade já foi saciada e felizmente não matou o gato). A Pipoca detesta andar de carro. Farta-se de miar e até houve um dia que a deixámos sair do porta-gatos dentro do carro. Grande erro. A gata pôs-se a cheirar o carro todo, e quando digo todo, é mesmo todo. Mesmo quando estava a conduzir em plena ponte 25 de Abril e ela decidiu que era giro passear por cima do volante e não sair da minha frente ou então enfiar as unhas nas minhas pernas enquanto conduzia. Logo no dia a seguir, fomos ao veterinário cortar-lhe as unhas dianteiras. A minha futura sogra tem um cão chamado Bobby (nome muito original, mas melhor do que Picasso ou Beethoven) que tem muita energia e não pára quieto. O primeiro dia em que a Pipoca e o Bobby estiveram em casa dos meus futuros sogros foi bastante interessante de se ver. A Pipoca que é uma gata bastante sociável e meiguinha, com o cão (que é muito curioso e ainda é bastante novo) atiça-se se ele se aproximar. Já a vi dar uma patada no focinho do Bobby, parecia a protagonista do filme "Million Dollar Baby". Mas se ambos ficarem numa distância de 2 sofás, então está tudo bem. Numa casa onde antes havia confusão e onde reinava a desordem causada por um cão hiperactivo, naquela altura reinava a paz pois o cão ficou cheio de medo da Pipoca. A Pipoca anda pela casa descontraidamente e gosta muito de ficar sentada no sofá da sala com o meu futuro sogro. Logo no início de a Pipoca vir morar connosco, comprámos-lhe uma coleira com gizo. Agora não usa a coleira porque depois de lhe colocarmos, ela com a boca abre o fecho da coleira. A ver se a levamos um dia destes ao veterinário para levar uns pingos de prevenção contra às pulgas. Antes de terminar, quero agradecer à Claúdia por ter dado a ideia da brincadeira das palhinhas e à senhora do Coffee Lux que deu a indicação de colocar a pasta contra as bolas de pêlo na patinha da gata, que ela a seguir lambe e toma o medicamento, ao invés de lhe tentarmos dar o medicamento com uma colher. Quando for oportuno darei mais notícias da Pipoca.
Um resto de um bom dia.
Sales